Projeta Rocinha: Comunidade receberá cinema ao ar livre com projeção no Morro Dois Irmãos

 

Para o morador da Rocinha, o acesso ao cinema só é possível indo aos bairros vizinhos. Com cerca de 150 mil habitantes, não há nenhuma sala de cinema no morro. Mas, entre amanhã, sexta (22/01),  e domingo (24/01), sempre com início às 19h, a pedra do Morro Dois Irmãos vai ser transformada em um telão de cinema com dimensões espetaculares. O Projeta Rocinha exibirá longas, curtas, clipes, mensagens, intervenções poéticas e mensagens de saúde pública relacionadas à prevenção da covid-19 para um público que pode chegar a 100 mil pessoas, moradores ou não da favela.

Sem aglomeração e sem sair de casa, os moradores poderão assistir às projeções de suas lajes e janelas e receberão o som das rádios FM locais, caixas de som dos próprios moradores e via streaming.

A projeção será feita pela Visual Farm, estúdio de ponta que cria e realiza espaços narrativos com uso intensivo de tecnologia, contará com 50 metros de altura por 90 de largura. Para se ter uma ideia, a maior tela de cinema do mundo, da rede Imax, na Alemanha, tem 38 metros de largura e é maior que um Boeing 737. A projeção na Rocinha terá uma tela do tamanho de pelo menos dois desses aviões.

Organizado pela Dona Rosa Filmes, da produtora Mariana Marinho, e por  Maurício Soca, morador e produtor cultural e diretor do Morro pela Arte, o evento foi desenvolvido a partir do reencontro de Mariana e Soca. Artistas e moradores da Rocinha estão participando da curadoria do evento. Com as medidas sanitárias da pandemia da covid-19, a projeção traz a ideia de oferecer arte como respiro, abrindo o início do novo ano.

“Trazer a força e a grandeza do evento, transmitir o conceito de uma nova experiência nunca vivenciada antes. O evento tem o caráter divertido de um festival, mas ao mesmo tempo é empoderador, dando força à cultura, às minorias, à geografia do local, às ações e aos movimentos culturais já existentes na favela. Os 100 mil moradores da Rocinha viverão a experiência de presenciar a projeção na maior tela de cinema já realizada, assistindo a conteúdos afirmativos que surgiram do vulcão de criatividade e atitude da própria Favela, a vida que reluz na Rocinha”, diz Mariana Marinho, diretora e coordenadora-geral do evento.

Programação eclética

Três longas-metragens a serem exibidos são grandes sucessos de público, somando cerca de 14 milhões de espectadores. São eles: “Minha Mãe é uma Peça 3”, de Susana Garcia, que levou mais de nove milhões de pessoas ao cinema em 2019; “Fala sério, Mãe!”, de Pedro Vasconcelos, com as atrizes Ingrid Guimarães e Larissa Manoela, baseado no livro da escritora Thalita Rebouças, e “Gonzaga: De pai para filho”, de Breno Silveira, ganhador do prêmio de melhor filme no Grande Prêmio de Cinema Brasileiro, e escolhido por representantes e artistas da favela, dialogando com a origem pernambucana e nordestina de grande parte dela.

Os longas serão antecedidos por curtas-metragens. Entre as produções selecionadas estão “Janelas Daqui”, de Luciano Vidigal, realizado durante a pandemia, abordando os impactos da Covid; “Lá do Alto”, também de Luciano Vidigal, filmado no Dois Irmãos; “A fábula da Vó Ita”, de Joyce Prado e Thalita Oshiro, que aborda a importância do cabelo crespo; “Alma Crespa”, de Paulo China e Rebecca Joviano, sobre o feminismo negro; “O Pião”, de Karina Mello, uma fábula sobre a perda, a saudade e o sentimento de amor; “Rã”, de Ana Flávia Cavalcanti e Julia Zakia, que fala sobre união, afeto e coletividade; “Lé com Cré”, de Cassandra Reis, sobre coisas de menino & menina contados por crianças e “Como Ser Racista em 10 Passos”, de Isabela Ferreira, que traz à tona e confronta o racismo estrutural velado.

Completando a programação, clipes musicais de artistas diversos vão encher a tela e ninguém vai ficar parado. Já estão confirmados “Pra dizer adeus”, “Sonífera ilha” e “Enquanto houver sol”, dos Titãs; “De ontem”, Liniker e os Caramelows; “Náufrago”, de Majur; “Fica em casa”, de Marília Coelho; e “Who’s that boy?” e “Te ligo e vc não atende”, de Luthuly.


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