Quando há os encontros…

Este texto de hoje tem um ar de romantismo e encontro.

Romantismo pela profissão que exerço e pela chance que ela me proporciona além da sala de aula. Falo isso, pois este início de ano o coração me move os olhos e a sensação de que há algo a mais além da vida se concretiza.

Dois ex-alunos meus estão com seus livros publicados.

Romances.

Vieram até mim, neste período de Janeiro e Fevereiro, me convidarem para seus respectivos lançamentos. Nesta vinda, relataram a importância da motivação que dei. Para os que me conhecem intimamente, sabem que sou um militante da literatura, de sua escrita, de sua concretização como exercício de intimidade e individualidade. Escrever é algo forte, que potencializa o autoconhecimento. Para eles, tornou-se algo a mais. Não só a chance de criar uma história, mas de se tornarem realmente escritores, com todos os predicados que a alcunha fornece. Para jovens com menos de 20 anos esse pode ser um caminho e tanto de carreira.

E eu os influenciei.

Uma gratidão. Sensação de dever cumprido.

Seus nomes, João e Raul.

A Maquina do Mundo - Joao PedroUm foi aluno meu em Araruama. Nunca imaginei que a literatura estivesse correndo aqueles olhos ávidos por conhecimento. João é do catálogo, do acúmulo, muito bom aluno em qualquer disciplina, com desenvoltura para a área de exatas.

Mas, meu melhor aluno em redação modelo Enem.

O elenco de suas ideias era perfeito. Um encadeamento de muito bom gosto. Havia vida naquela redação, autoria. No entanto, nunca supus que ali se escondesse um artista vibrante. Sua obra já se encontra no Wattpad, uma plataforma que ando estudando (ainda será alvo de um texto meu). Seu livro: A Máquina do Mundo.

 

O outro: Raul.


Memorias Solidas - Raul MartinsAluno meu de terceiro ano em um colégio da Tijuca, eu já sabia que dele sairia uma obra, um pensador. Pulsava nele a famosa área de Humanas. Raul é um pensador elegante, de pontuações certeiras e de olhar firme. Seus grandes olhos escondiam uma alma já calibrada para as certezas e determinações. Eu ali via uma certa ingenuidade, uma delicadeza comum dos apaixonados pela vida. Como assim o é Raul.

O título de seu livro é pura poesia: Memórias Sólidas.

Ambos lançarão pela Multifoco. A mesma editora por que lancei o meu primeiro livro também dá essa chance a eles.

Deixo com este texto um recado implícito, como se dissesse para conhecer não só a eles, mas também aos novos autores. Sei que há muitos bons surgindo por aí, caminhando com passos largos em um ambiente de incerteza e desencontro. Esses dois agora se mostram partícipes deste mundo de tantos e tantos, potencializados por plataformas que facilitam publicação e imediatismo. Balizo-os, pois o que já li demonstra uma preocupação. Não uma mera coleção de palavras.

E são dois talentos, antes dos 20 anos.

Terei o singelo prazer de afirmar que fui seus primeiros leitores, no antes e no durante.

Essa honra é que quero compartilhar com vocês.

Até a próxima.

 

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Author

Márcio Calixto
Professor e escritor. Lançou em 2013 seu primeiro romance, A Árvore que Chora Milagres, pela editora Multifoco. Participou do grupo literário Bagatelas, responsável por uma revolução na internet na primeira década do século XXI, e das oficinas literárias de Antônio Torres na UERJ, com quem aprendeu a arte de “rabiscar papel”. Criou junto com amigos da faculdade o Trema Literatura e atualmente comanda o blog Pictorescos. Tem como prática cotidiana escrever uma página e ler dez. Pai de dois filhos, convicto morador do Rio de Janeiro, do bairro de Engenho de Dentro. Um típico suburbano. Mas em seu subúrbio encontrou o Rock e o Heavy Metal. Foi primeiro do desenho e agora é das palavras, com as quais gosta de pintar histórias.