O Poder da Literatura Infanto-juvenil na criação de leitores.

Vivemos época interessante no que diz respeito ao universo literário: o aumento no número de venda de livros – levando em consideração os últimos 20 anos no Brasil -, da quantidade de livrarias – somado ao surgimento das megalivrarias – e a aparição dos livros virtuais – que datam de tempo maior.É uma ampliação para todos os lados.

Esta semana está acontecendo a nova edição do Salão FNLIJFundação Nacional da Literatura Infanto Juvenil no Centro de Convenções Sulamérica ),  na Cidade Nova, no Rio de Janeiro. Nomes novos somam-se aos consagrados e ampliam o gosto pelo universo do livro. Concordemos: a qualidade de editoração acompanhou o gosto dos mais novos. Os livros hoje são tão atraentes, tão belos, com projetos gráficos que desafiam a normalidade. Lembro-me da série Para Gostar de Ler, quando eu era criança, ou das publicações da Editora Ática, pelas mãos de Jiro Takahashi, livros também belíssimos, eu passava horas naquelas capas, naqueles desenhos, dava gosto colecioná-los, tê-los. Ficaram comigo os livros de Marcos Rey principalmente. Para os atuais, há as maravilhosas Márcia Kupstas, Thalita Rebouças e Letícia Sardenberg. Esta última acompanho a carreira com muito carinho.

Letícia Sardenberg. Foto Divulgação.

Há um livro conhecido como “Eu, meu cachorro e meus pais separados” de Letícia Sardenberg. Uma edição bem volumosa dele foi comprada pela prefeitura do Rio e distribuída nas salas de leitura nas escolas da rede pública do município. Este projeto é fantástico. Ele traz a nova literatura para dentro da realidade escolar. Vi muito de meus alunos desejando esta obra. Queria saber o motivo. Disseram em coro que o livro era gostoso de ler, tem uma linguagem motivadora, adoravam lê-lo.

Com este relato, eu me lembrava de Harry Potter. Lembram do bruxinho?
Ele foi uma febre.  Ainda é. Este ano comemoram-se 20 anos de sua publicação. Crianças das mais diversas idades correram e devoraram verdadeiros calhamaços. Do primeiro volume, bem ao universo infanto-juvenil, ao último, a história e o tamanho da obra acompanharam a idade de seus leitores. Junto a Potter de J.K. Rowling, nomes como J.R.R. Tolkien, Lewis voltaram a figurar ainda mais, uma leva de novos autores surgiram, uma indústria do Fantástico se fez. O século XXI promete, em seus primeiros momentos, ser um século de popularização da literatura. Vejo a vertente infanto-juvenil como carro-chefe desta história, e livros como o de Sardenberg moverão montanhas das mais diversas.

Nessa perspectiva, então, como ficam os clássicos? Eles não deixam de ser clássicos, defendidos por anos de argumentos e leitores. Neste caso, não deixarão de ser lidos. Semana passada, na escola do município em que trabalho, uma aluna de oitavo ano lia Sardenberg. Logo depois de copiar a matéria do quadro, ela finalizou a leitura do livro. Pediu-me para ir à biblioteca. Deixou Sardenberg, voltou com Lobato. Em suas mãos, “As Reinações de Narizinho”. Os novos autores e suas obras contemporâneas bem escritas criam esses novos leitores para todos os universos literários. Isto é fantástico. Criam-se aí novos clássicos, a se somarem com os clássicos de antes. A literatura é naturalmente somativa.

Relatei em um outro texto meu o poder do livro infanto-juvenil bem escrito com a minha filha. Ela lera “O Menino Maluquinho” de Ziraldo. Daí, ela lera um de Contos de Fadas, de 383 páginas. Depois, um dos irmãos Grimm, um clássico. Semana passada ela ganhou “O Pequeno Príncipe”. Lemos também Márcia Kusptas, esta para a escola. Professores sensibilizados em não pedir livro de autores clássicos, mas mortos, estão também na esteira deste sucesso para a criação de novos leitores. Este caminho deve ser perseguido.

Quem ainda não pode ir à Feira, tem até o próximo dia 28 de Junho para dar aquela conferida. Para os leitores de todas as idades, será um deleite participar deste universo.

Partam para lá.

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Professor e escritor. Lançou em 2013 seu primeiro romance, A Árvore que Chora Milagres, pela editora Multifoco. Participou do grupo literário Bagatelas, responsável por uma revolução na internet na primeira década do século XXI, e das oficinas literárias de Antônio Torres na UERJ, com quem aprendeu a arte de “rabiscar papel”. Criou junto com amigos da faculdade o Trema Literatura e atualmente comanda o blog Pictorescos. Tem como prática cotidiana escrever uma página e ler dez. Pai de dois filhos, convicto morador do Rio de Janeiro, do bairro de Engenho de Dentro. Um típico suburbano. Mas em seu subúrbio encontrou o Rock e o Heavy Metal. Foi primeiro do desenho e agora é das palavras, com as quais gosta de pintar histórias.

One comment

  • Por aí, Márcio! Nossa, “Para gostar de ler”…ainda tenho os meus! Entreguei-os a meu filho pq acho q a escola falha, é uma maneira geral, em criar um vínculo lúdico e afetivo com a Literatura. É o q sempre procurei fazer. Lobato e Ziraldo na minha infância me abriram as portas pra alegria de ler. Adorei o texto e a dica. Beijo.

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