DENTE POR DENTE: Novo filme de suspense nacional retrata a vingança como irremediável e justiça como inevitável

 

Sob a direção de Júlio Taubkin e Pedro Arantes, “Dente por Dente”, novo suspense nacional, propõe um enredo recheado mistério protagonizado por Ademar (Juliano Cazarré), sócio/proprietário de uma empresa de segurança, que passa a ter premonições através de sonhos, fato que o instiga a buscar respostas para tais eventos, retratada por meio de uma confusa e incansável odisseia.

O protagonista do longa, já em suas primeiras cenas, denota o seu perfil ingênuo e confuso, dinâmica muito bem interpretada por Cazarré, que incorpora com muita dedicação os devaneios instintivos que orientam Ademar por todo o filme. Outra característica intrínseca ao longa é a utilização de elementos visuais para incrementar toda a narrativa investigativa, utilizando a simbologia associativa como fator comunicativo – a incorporação da figura do touro ao protagonista –, como também o uso de cores quentes (amarelado) e frias (azulado) para orientar o telespectador na dialética atemporal (não linear) proposta pela direção.

Nesse quesito, o próprio título expõe essa faceta interpretativa a ser incrementada, apropriando-se do mandamento propagado pela de Lei de Talião, “olho por olho, dente por dente”, para apontar o viés retaliatório presente no enredo, mesmo que sua anunciação seja precedida de muitos acontecimentos. Talvez esse seja um dos excessos do filme: a tentativa de desenvolver uma narrativa complexa, sem a construção consolidada dos personagens e o emprego excessivo de elementos para a desenvolver sua história.

Juliano Cazarré acaba se isolando durante quase todo o filme, enquanto seus coadjuvantes, a exemplo de Paolla Oliveira (Joana) e Renata Sorrah (Meirelles), decepcionam ao não despertarem em quem assiste as tão esperadas surpresas e reviravoltas características do gênero suspenso investigativo. A sensação é de que faltou tempo para amarrar de maneira coesa tanta informação, fato que dosa a expectativa inicialmente instigada pelo longa.

Nesse sentido, a própria crítica social proposta pelo filme carece de desenvolvimento, ficando algo posto, mas solto, malgrado o despertar de empatia e senso de justiça pela realidade escancarada e atacada pela obra. Assim, apesar do méritos irremediáveis, “Dente por Dente” acaba prometendo demais, mas entregando algo inacabado, carente de mais vida e tempo de história.

Assim, temos um filme que decepciona em seu desenvolvimento, mas que agrada pela proposta e coragem na narrativa proposta. Estima-se por mais tramas nacionais inovadoras em sua abordagem, de maneira a termos, somado as singularidades da cinematografia nacional, a coragem em propor ao telespectador novos elementos linguísticos em história!

DENI FILHO

 

 

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DENI FILHO
Sou Advogado, Consultor trabalhista e Empresário. Para o canal Cinema & Companhia do ArteCult realizo a análise crítica sobre obras cinematográficas – filmes, séries e desenhos - inclusive pautada também pelo olhar jurídico (veja em artecult.com/author/cineelaw e siga meu Instagram @cineelaw).Neste caso, a proposta é uma abordagem leve, a fim de proporcionar um entendimento do tema pelo público em geral, trazendo em seu cerne uma dialética entre o mundo jurídico e a cultura pop contemporânea.

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