Analógico Lógico: As câmeras, sua evolução e características – Parte 2

Saudações Terráqueos! Dando continuidade ao artigo da semana passada, em que falei um pouco sobre a história da fotografia antes de ser fotografia, em que a utilização de um artefato denominado “Câmara Obscura”, que remonta à China em cerca de 400 ac e que era utilizada para as artes ao se retratar, como pintura, as formas do mundo natural que eram projetadas, invertidamente, sobre uma superfície. Técnica essa que, chegando à antiga Mesopotâmia, por volta do ano 1000 dc, serviu para os primeiros estudos científicos sobre a física óptica e suas propriedades.

Após isso, vimos que a câmara obscura tem seu tamanho reduzido à uma caixa e que passou a ser denominada de “Pinhole” (diz-se, “pinrrol”) e que, é traduzido diretamente do inglês como, buraco de agulha.

Essas pinholes foram usadas nas primeiras tentativas de captação da luz se utilizando os materiais fotossensíveis conhecidos da época, tais como, sais de prata e betume da Judéia, apresentando resultados variados, porém, padeciam com uma imagem instável, que sumia pouco tempo depois, pois esta não era “fixada” à mídia que, na época, costumava ser uma placa metálica, como bronze ou estanho e, posteriormente, vidro.

Esse problema da volatilização da imagem foi resolvido por Joseph Nicéphore Niépce, em 1826, com a utilização de ácido nítrico na estabilização da imagem, em um método que ele denominou “Heliografia” e que, sendo constantemente aperfeiçoado, chegou-se ao que denominamos, fotografia (grafado por fótons ou luz).

Ocorre que o processo heliográfico era extremamente demorado e, apresentando resultados um tanto quanto medíocres, precisava ser aprimorado. Foi quando Joseph Niépce conheceu o pintor e inventor francês Louis Jacques Mandé Daguerre que considerava o processo Heliográfico demorado e de resultados insípidos devido ao uso dos materiais utilizados e à fixação inadequada da imagem, a qual solucionou o problema da volatilidade da imagem, com a imersão das chapas já reveladas, em água aquecida com sal.

Posteriormente em 1829, Daguerre trocou as chapas de estanho revestidas por betume da Judéia por chapas de cobre folheadas a prata, nas quais a prata era polida até ficar com sua superfície espelhada, quando era imersa em uma solução de iodo, na forma de brometo de iodo que, reagindo com a prata, tornava esta sensível à luz. Após isso a placa era colocada em um suporte vedado à entrada da luz.

A câmera, evoluindo da pinhole, agora tinha lente e esta focalizava o assunto por meio de um vidro despolido. Feito isso, o suporte com a chapa preparada era encaixado na câmera e o anteparo que havia em sua parte frontal era retirado, bem como a tampa da lente, permitindo a entrada da luz, fosse por alguns minutos ou segundos, o que iria sensibilizar a chapa.

Então a tampa da lente era recolocada, bem como o anteparo do suporte e este era retirado da câmera tendo em seu interior a chapa sensibilizada, porém com a imagem latente e esta partiria, agora, para a segunda etapa do método Daguerreótipo: a revelação. Para isso o suporte com a chapa era transferido para uma caixa e era aplicado a esta, vapores de mercúrio que, entrando em contato com a solução de iodo, evidenciavam a imagem, mas esta ainda era instável e precisava ir para a terceira etapa do processo: a fixação, que era feita banhando-se a placa com tiossulfato de sódio, que impedia que qualquer resíduo de prata não sensibilizado, reagisse com a luz, estabilizando em definitivo a imagem.

Mas ainda não terminava por aí e a placa era lavada com água destilada para se remover quaisquer resíduos do processo de fixação e se chegava a quarta etapa, que era o banho da chapa em solução de cloreto de ouro, o qual era aquecida em chama de bico de Bunsen, para realçar os diferentes tons da imagem e que gerou o termo “burn”, usado de diversas formas na história da fotografia, até os dias atuais.

Daí enxaguava-se novamente para retirar os resíduos do cloreto de ouro e novamente a chapa era aquecida para secar, tendo, por resultado final, uma imagem estabilizada. Lindo, não?

Então, dessa forma, como havíamos começado a ver no artigo anterior, a medida que o processo fotográfico ia evoluindo, as câmeras evoluíam com ele e não o contrário. Então, dessa forma, vários e vários outros métodos baseados no método Daguerreótipo foram surgindo nesse período até que, finalmente, em 1884, o Sr. George Eastman Kodak desenvolveu a emulsão em gel seco, o qual era posta sobre as placas e, posteriormente, sobre filmes de acetato, um material transparente, que poderia ser enrolado, criando, dessa forma, o primeiro filme fotográfico.

Com isso o processo fotográfico ficou muito mais fácil, já que, além de não se precisar preparar as chapas, que já vinha prontas, bastava se retirar o filme da máquina e revelá-lo. Foi algo tão revolucionário, na época, que a Eastman Kodak, surgindo como empresa, tinha como lema, “você aperta o botão, nós fazemos o resto”.

A partir desse ponto a revolução da fotografia se inicia, efetivamente, por possibilitar a “popularização” entre aspas, mesmo, pois ainda era uma técnica caríssima e reservada para os poucos fotógrafos que haviam.

Dessa forma, como vimos, é o equipamento que segue a técnica e não o oposto e este começa a se aperfeiçoar partindo das lentes que, saindo da fórmula meniscal de somente um elemento ou vidro, passa a contar com mais alguns elementos, se visando melhorar não só a qualidade da imagem captada, propriamente dita, mas também acelerar a captura dessa imagem ao permitir uma maior entrada “controlada” dessa luz, fazendo com que fotos que demoravam horas para serem batidas agora o fossem em frações de segundo.

Então as máquinas de grande formato que, apesar de possuírem uma excelente resolução, em virtude do tamanho da chapa fotográfica, que poderia ter até 20×24 polegadas (ou 50,8×60,96cm!!!!), em câmeras quase do tamanho de geladeiras, passavam, agora, por um processo de miniaturização, graças ao advento do filme em rolo.

Assim, surgia o médio formato com a Kodak Brownie, em 1901. Uma câmera portátil, de fácil manuseio, que poderia ser levada tanto para o pic-nic, nos campos verdejantes das montanhas, quanto nas tardes bucólicas no Country Club, onde poderia fotografar tanto a partida de polo de seu marido quanto as crianças, brincando no banco de trás de seu Rolls-Royce Silver Shadow. Um luxo!

Dessa forma, o grande formato ficou reservado para os fotógrafos retratistas e paisagistas, enquanto que o médio formato se tornou o filme de predileção das massas até os anos 1950.

Observe-se que o filme de cinema de padrão 35mm remonta a 1891 quando o Sr, Thomas Alva Edson ao pegar rolos de filme da Eastman Kodak, através de método por ele patenteado, cortava estes pela metade, originando o padrão usado na indústria cinematográfica.

A primeira câmera fotográfica a utilizar o filme de cinema, comercialmente, foi a Leica I(A), surgida em 1925, que era uma rangefinder na qual o filme era enrolado dentro da câmera em um quarto escuro e retirado para revelação do mesmo modo. Posteriormente, a Leica criou um cassete em que o filme era enrolado dentro e com isso poderia ser levado e colocado dentro da câmera, em qualquer lugar.

Foi somente em 1934 que a Kodak lançou seu cartucho 135, se tornando esse o padrão até os dias atuais e em 1936 surge a primeira SLR a utilizar o pequeno formato 135, a Kine Exakta que, como diz o nome, era uma câmera pensada para usar os famosos filmes de cinema.

Então, percebe-se que, tanto as rangefinder quanto as SLR (de single lens reflex) usavam os filmes 35mm. A diferença então estava no funcionamento das câmeras. Muito embora, a filosofia fotográfica fosse a mesma, as rangefinders focavam por um sistema de sobreposição de imagem, no qual a imagem estaria em foco quando a sobreposição fosse absoluta. De modo diverso, as SLR focalizavam diretamente, pois a imagem, entrando pela lente, era refletida por uma série de espelhos até os olhos do fotógrafo que via diretamente o objeto a ser fotografado e daí já fazia os ajustes necessários de foco para bater a foto.

As câmeras de médio formato, em contrapartida, poderiam ter esses dois modos, bem como outros, denominados de foco por estimativa e foco fixo. As câmeras de foco por estimativa são muito confundidas com as rangefinder por também possuírem um visor. Só que nestas o visor só funciona para se enquadrar o que se quer fotografar, não medindo a distância até o objeto e nem focalizando-o, coisa que será definida graças a uma estimativa da distância do objeto em relação à câmera, dada por marcações no corpo da lente com as distâncias pré-definidas.

Já as câmeras de foco fixo, como as Kodak Brownie, mencionadas acima, eram máquinas que já vinham com um foco formado, com uma abertura pequena e que possibilitaria, em grande parte das vezes, se fotografar sem se ter um foco específico em algo, mantendo, qualquer coisa, de cerca de 2m ao infinito, em foco. Então, funcionava para fotografias de rua, paisagens ou para juntar a família no almoço de domingo, no quintal, por exemplo. Mas, evidentemente, não era a máquina para aquele retrato maravilhoso.

Espero que tenham gostado e aguardo vocês na próxima semana e não deixem de ver, seguir e curtir o meu canal Analógico Lógico!, no YouTube. É de graça! Toda semana um vídeo novo para você que acha que fotografia é bem mais que apertar um botãozinho. Um grande abraço e boas fotos!

VITOR OLIVEIRA

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ANALÓGICO LÓGICO!
Vitor Oliveira é dono de uma visão poética sobre a vida e o mundo que o permeia. Fotógrafo experiente e autodidata, fotografa desde os 10 anos de idade influenciado por seu avô, o pintor paisagista Altamiro Oliveira, de quem, além da pintura clássica, o influenciou no desenho e na literatura, arte que exerce escrevendo romances ambientados no submundo de uma São Sebastião do Rio de Janeiro do final do Séc XIX e começo do Séc XX que não mais existe. Pesquisador de métodos, técnicas e equipamentos fotográficos e colecionador, Vitor Oliveira fotografa principalmente em película, por considerar que, após quase 200 anos de evolução desta forma de arte, esta ainda oferece os melhores resultados, ao depurar a técnica artística, quase que alquimicamente. Sendo um dos únicos fotógrafos de nível mundial a participar, usando filme, no maior concurso fotográfico do mundo, o Sony World Photography Awards, da World Photography Organization, Vitor Oliveira inaugura seu Canal Analógico Lógico!, no YouTube, através do qual procura compartilhar um pouco de uma aprendizagem que nunca finda. Hare Hare! Canal Analógico Lógico! : https://youtube.com/channel/UCom1NVVBUDI2AMxfk3q8CpA Video de abertura: https://youtu.be/N_cuYPi6b4M

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