NA BOCA DO VULCÃO: Espetáculo investiga as relações entre capitalismo, violência, devastação ambiental e colapso climático

Foto: Leo Aversa

Com dramaturgia e direção de Luiz Felipe Reis, a nova obra da Polifônica Cia. aborda temas ligados ao impacto humano na Terra e ao desequilíbrio climático, assim como investiga a perseguição a ambientalistas no Brasil e a ascensão do neo-obscurantismo no mundo

A partir de uma contínua investigação artística acerca dos variados impactos das atividades humanas na Terra, o diretor Luiz Felipe Reis e a Polifônica Cia. (RJ) seu novo espetáculo, “Na boca do vulcão”, que estreia, dia 20 de março, no Sesc Avenida Paulista, onde fica em temporada de quinta a domingo até 19 de abril. Continuação da pesquisa do grupo acerca de temas como o Antropoceno e a violência humana, a peça aborda a degradação de biomas pelas forças do capital, o desequilíbrio climático e seus múltiplos efeitos, a tragédia ambiental brasileira, assim como a poluição comunicacional e o neo-obscurantismo político que desestabilizam o Brasil e o mundo.

A obra reúne textos de Alberto Pucheu, André Sant’Anna, Luiz Felipe Leprevost, Luiz Felipe Reis e Tatiana Nascimento, entre outros livremente inspirados nas obras de J. M. Coetzee, Olga Torkarczuk e Carlos Drummond de Andrade. Organizada pelo diretor, a dramaturgia se realiza através de uma polifonia cênica, em que dispositivos teatrais, audiovisuais e sonoros se articulam para investigar “a crise ambiental, climática e civilizacional que a humanidade produz e enfrenta na era do capital”, diz Reis. O elenco, formado por Julia Lund, Thiago Catarino, Stella Rabello, Ciro Sales e Isio Ghelman, apresenta uma série de quadros cênicos intercalados por instalações sobre o tema.

“Estamos vivendo o momento da História da Terra em que o homo sapiens deixa de ser apenas um mero agente biológico para se tornar, gradativamente, uma força geológica primordial, ou seja, o principal responsável pelas maiores transformações na paisagem e no funcionamento da Terra”, observa Luiz Felipe Reis. “Nos últimos 50 anos, a humanidade tem alterado, numa velocidade maior do que em qualquer outra era, o equilíbrio termodinâmico, a biodiversidade e o funcionamento de todo o sistema da Terra. Os projetos da Cia. investigam essa violenta colisão entre a humanidade e o mundo, entre uma única espécie e todo um sistema que regula a vida”, acrescenta o diretor que tem outros dois projetos previstos para estrear este ano: “O fim de E.”, adaptação para as obras “O fim de Eddy” e “História da violência”, do francês Édouard Louis, e “2666”, adaptação inédita na América Latina para a obra homônima do chileno Roberto Bolaño.

“Na boca do vulcão” é a nova etapa de uma pesquisa desenvolvida pela Polifônica Cia. desde 2014, intitulada “Dramaturgias do Antropoceno”, que já resultou em uma série de artigos, dramaturgias e espetáculos que investigam as mudanças cada vez mais intensas e aceleradas que a humanidade tem desempenhado na forma e no funcionamento da Terra. Após a criação das peças “Estamos indo embora…” (2015) e “Galáxias” (2018), “Na boca do vulcão” (2020) toca, com maior ênfase, a atual crise ambiental e política brasileira, abordando fatos que resultaram em crimes ambientais e tragédias ecológicas recentes.

VEJA ALGUMAS IMAGENS DO ESPETÁCULO

“Na Boca do Vulcão” também leva à cena a luta em defesa do meio ambiente de povos indígenas e de ícones internacionais como o seringueiro e ambientalista Chico Mendes (1944-1988), assassinado há mais de 30 anos, e o artista visual Frans Krajcberg. A montagem relaciona, através de uma instalação documental, o marco histórico da morte de Chico Mendes com dados que evidenciam o crescimento da violência contra ambientalistas no Brasil, um país que se tornou, a partir de 2002, um dos líderes do ranking mundial de assassinatos cometidos contra defensores do meio ambiente – segundo relatórios da organização britânica Global Witness, o Brasil tem média de 40 assassinatos por ano, a maioria ocorrida na Amazônia.

“Esta situação de violência e vulnerabilidade se agrava no atual momento do país, em que marcos legais que garantem a preservação do meio ambiente vêm sendo desrespeitados por diversas atividades criminosas, como as queimadas ilegais que têm crescido sob o estímulo da impunidade, do desmonte dos instrumentos oficiais de fiscalização e do negacionismo científico que rege a política ambiental do atual governo brasileiro”, acrescenta Luiz Felipe Reis.

 

Polifonia Cênica

“Na boca do vulcão” leva adiante a pesquisa estética da Cia. acerca do conceito de “Polifonia Cênica”, que busca estabelecer uma relação não hierárquica entre diferentes formas de arte na constituição do fazer teatral. Nesse sentido, o trabalho constrói uma experiência artística imersiva e sensorial, a partir de uma constante transfusão entre dispositivos do fazer teatral com diferentes formas de arte: a literatura, a dança, além de instalações de luz, som e vídeo. O espetáculo tem como objetivo, portanto, articular reflexões filosóficas com provocações sensoriais, a fim de sensibilizar o público para a gravidade das transformações que a humanidade tem desempenhado na Terra, como o desequilíbrio climático global e a sexta extinção em massa de espécies.

 

Sobre a Polifônica Cia.

Fundada em 2014, a Polifônica Cia. desenvolve uma pesquisa estética e temática acerca das noções de “Polifonia Cênica” e de “Dramaturgias do Antropoceno”. Em 2015, a Cia. foi indicada ao Prêmio Shell 2015 na categoria Inovação com o experimento cênico-científico “Estamos indo embora…”, pela “multiplicidade de linguagens artísticas adotadas para abordar a ação do homem nas transformações climáticas”. Em 2016, a Polifônica recebeu indicações e conquistou prêmios pela criação do projeto “Amor em dois atos”, que reuniu em uma mesma encenação duas obras do dramaturgo francês Pascal Rambert, “O começo do a.” e “Encerramento do amor”. Em 2018, a Cia. apresentou o seu novo trabalho, “GALÁXIAS”, que articula textos de Luiz Felipe Reis com fragmentos da obra literária do escritor argentino J. P. Zooey. Em 2020, a Cia. apresenta o seu novo espetáculo, “Na boca do vulcão”, assim como prepara a estreia de duas novas criações: “O fim de E.”, adaptação para as obras “O fim de Eddy” e “História da violência”, do francês Édouard Louis, e “2666”, adaptação inédita na América Latina para a obra homônima do chileno Roberto Bolaño.

 

Ficha técnica:

  • Direção e dramaturgia: Luiz Felipe Reis
  • Textos: Alberto Pucheu, André Sant’Anna, Luiz Felipe Leprevost, Luiz Felipe Reis, Tatiana Nascimento e textos livremente inspirados nas obras de J. M. Coetzee, Olga Torkarczuk e Carlos Drummond de Andrade
  • Atuação: Julia Lund, Thiago Catarino, Stella Rabello, Ciro Sales e Isio Ghelman
  • Direção de movimento: Amália Lima
  • Assistente de direção: Luisa Espíndula
  • Cenário: Antônio Pedro Coutinho (Estúdio Chão)
  • Figurino: Tatiana Rodrigues
  • Iluminação: Alessandro Boschini e Julio Parente
  • Vídeo ao vivo e instalações audiovisuais: Julio Parente
  • Instalação documental: Clara Cavour
  • Pesquisa e criação sonora: Luiz Felipe Reis e Pedro Sodré
  • Produção musical: Pedro Sodré
  • Colaboração musical: Thiago Vivas
  • Assessoria de imprensa: Rachel Almeida (Racca Comunicação)
  • Design gráfico: Clarisse Sá Earp (uma studio)
  • Administração Financeira: Letícia Napole
  • Produção Executiva: Renata Campos (Rio de Janeiro) e Périplo Produções (São Paulo)
  • Direção de Produção: Sérgio Saboya e Silvio Batistela
  • Produção: Galharufa Produções Culturais
  • Idealização e coprodução: Luiz Felipe Reis e Julia Lund (Polifônica Cia.)
  • Serviço:

 

SERVIÇO

Na Boca do Vulcão

  • QUANDO: De 20 de março a 19 de abril . Quinta a sábado, às 21h; domingos, 18h. Sessões extras: dias 11 e 18/04, às 17h.
  • ONDE: Sesc Avenida Paulista – Arte II (13º andar): Av. Paulista, 119 – Bela Vista, São Paulo – SP
  • QUANTO : R$ 30 (inteira); R$ 15 (meia-entrada) e R$ 9 (credencial-plena).
  • Telefone: (11) 3170-0800
  • Lotação: 70 pessoas
  • Duração: 100 minutos
  • Classificação: 14 anos
  • Transporte Público: Estação Brigadeiro do Metrô – 350m
  • Horário de funcionamento da unidade: Terça a sábado, das 10h às 21h30. Domingos e feriados, das 10h às 18h30.
  • Horário de funcionamento da bilheteria: Terça a sábado, das 10h às 21h30. Domingos e feriados, das 10h às 18h30.
  • Site: sescsp.org.br/avenidapaulista

 

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